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O Velho Chico

    Em uma análise rápida,  o leitor deve imaginar que meu artigo diz respeito à 10ª novela exibida pela Rede Globo, no horário das 21 horas, cujo foco da trama envolve o importante Rio São Francisco, que leva o apelido de Velho Chico justamente porque, nos anos 60, o grande cantor e compositor Chico Buarque fez uma canção fazendo alusão ao rio São Francisco, cuja finalidade era denunciar os maus tratos que o rio vinha sofrendo. Suas canções exprimiam críticas e era quase sempre no sentido metafórico. Era a forma como apresentava denúncias.

Na canção, Chico Buarque tratava o rio São Francisco como um velho decrépito e enfermo que precisa de cuidados. E por isso chamava-o de “Velho Chico”. Daí em diante o rio passou a ser carinhosamente tratado por esse apelido.

    No entanto, principalmente porque sou impaciente demais para acompanhar qualquer novela que não seja do mundo real, não tenho condição alguma de versar sobre a ficção exibida pela Vênus Platinada. Entendo que, no momento, merece análise o cantor Chico Buarque que, segundo o público feminino, é um bom exemplo de velho charmoso.

      Antes que a esquerda raivosa, a famosa turma do champanhe francês com caviar, venha gritar “preconceito”, vale lembrar que, tendo nascido em 19 de junho de 1944, o mais famoso do clã Buarque é sim um idoso. Tem 72 anos.

     Muitos juram que ele é tímido, avesso a jogadas de marketing e prima pela discrição. Seja pela idade ou por interesses que escapam à minha capacidade de análise, me parece claro que, no caso do impeachment da Dilma,  ele deixou de lado essas propaladas características de sua personalidade.

  Tal como um ator que se agarra a um personagem coadjuvante, transformando-o com maestria em figura principal da trama, Chico Buarque roubou a cena ao comparecer no Senado durante a longa defesa da presidente Dilma.

    Na galeria, com expressão cansada, olhar enfadonho e nitidamente representando, sem nenhuma convicção, o papel de si próprio, Chico parecia um rio de águas turvas, poluído pelo abandono. Fez-se presente, atraindo os holofotes, mas não deu entrevistas, como se fosse possível se expor sem se comprometer.

    Comunistas de todos os matizes foram ao delírio. Afinal de contas, explicou um deles em frenesi, Chico Buarque fez um sacrifício inimaginável. Um gesto de altruísmo de constar nos recordes da história. Ele deixou de participar de um tradicional jogo de futebol que acontece toda segunda-feira. Ação tão importante que só não ocorre quando ele está fora do País. Já pensaram? O tamanho do esforço para mostrar que defende a democracia? Fiquei comovido.

   Sendo de longe o maior compositor vivo da nação brasileira, com um fecundo e admirável acervo musical, é sempre um desgaste analisar o caráter político do homem Chico. Muitos entendem que ele merece a condição de intocável, inquestionável. Será?

    O problema é que poeta-mor da MPB é incoerente na defesa da democracia. Ao mesmo tempo que se expõe como um reluzente abajur clamando liberdade, respeito humano e direitos fundamentais em nossos rincões, prefere ver a banda passar em nações como Cuba, Venezuela e outras ditaduras, agindo na base do “afasta de mim esse cálice”, quando se trata de defender os oprimidos sob o domínio dos comunistas.

    Não dá para engolir. Chico não envelheceu apenas na quilometragem de vida. Ele se atola em um passado que não existe mais. Distanciou-se da realidade. Talvez por isso, não que precise, deixou de compor. Seu talento visceral perdeu-se no tempo. Foram-se as ilusões. Restou a participação num teatro que mostra um Chico Buarque sem vigor, chega a ser patético, até para defender algo que faz esforço para mostrar que acredita. Estou certo de que ele se lixa a qualquer tipo de crítica. Dando o Brasil certo ou errado, seu lugar predileto na França está garantido. Que inveja.

Rosenwal Ferreira: Jornalista e Publicitário
rosenwal@rrassessoria.com
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Instagram: rosenwalF

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Record realizando comentários no quadro 'Olho no Olho', no Balanço Geral. Mantém, há mais de 18 anos, o programa 'Opinião em Debate' que agora está na PUC TV. No meio impresso, é articulista no Diário da Manhã, e no Jornal OHoje.
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico 'Opinião em Debate', que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820AM, de segunda a sexta-feira, das 07h30 às 08h30 da manhã. Logo após é membro da bancada mais ativista da felicidade, das 8h30 até às 10h da manhã, na Jovem Pan Goiânia 106,7FM.

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