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Lula, o filho do Brasil

Ao constatar as peripécias de Luiz Inácio Lula da Silva no árido e sofrido quadrilátero nordestino, sobretudo registrando seu fino elogio a José Sarney e Renan Calheiros, me lembrei de um delicioso trecho do livro “Macunaíma – O Herói sem nenhum caráter”, com o seguinte registro: “Enfim, senhoras Amazonas, heis de saber ainda que a estes progressos e luzida civilização, hão elevado esta grande cidade (São Paulo) os seus maiores, também chamados de políticos. Com este apelativo se designa uma raça refinadíssima de doutores, tão desconhecidos de vós, que os diríeis monstros. Monstros são na verdade mas na grandiosidade incomparável da audácia, da sapiência, da honestidade e da moral; e embora algo com os homens se pareçam, originam-se eles dos reais uirauaçus e muito pouco têm de humanos. Obedecem todos a um imperador, chamado Papai Grande na gíria familiar, e que demora na oceânica cidade do Rio de Janeiro – a mais bela do mundo na opinião de todos os estrangeiros poetas, e que por meus olhos verifiquei.”

Elogiado por uma babel de fanáticos como guerreiro do povo brasileiro, Lula é o exemplo clássico do Macunaíma que chegou ao Everest do poder. Preguiçoso declarado, esperto como uma raposa, ardiloso nas palavras, estrategista perigoso e envolvente, arrota bizarrices na certeza da impunidade.

O homem ainda acredita, e talvez esteja certo, que pode levar a tudo e a todos na base da bazófia, do gabarola, esnobando o bom senso. Ao cobrir o clã Sarney de glórias e tecer um manto róseo de elogios a Renan Calheiros, faz troça dos nordestinos. Acredita piamente que está lidando com um bando de eleitores cretinos sem inteligência e informação.

Lixa-se ao fato de que Renan e Cia Ltda., se arrasta no esgoto de falcatruas inomináveis, no lodo de uma corrupção que se desnuda. Em busca do poder, do dinheiro fácil e das sinecuras palacianas, ignora os fatos e se ajusta a qualquer aliado. Para Lula, ética e caráter são negociáveis.  Se for necessário, transforma chefes de quadrilha em monges tibetanos e toca sua caravana movida a barris de óleo de peroba.

Na terra que pariu Macunaíma ele pode ser rei. Culpa dele? Nunca. Lula é fruto de uma árvore que viceja em todos os pomares. Tanto ele quanto sua turma estão convictos que, ao sul do Equador, os pecados rasgados ainda compensam. Será? O tempo dirá.

 

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é Jornalista, Publicitário e Terapeuta Transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Serra Dourada realizando comentários para o Jornal do Meio Dia; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate na TBC Cultura e realiza na TV Metrópole um programa com análises políticas e econômicas. Escreve para o Jornal Diário da Manhã, Jornal O hoje e mantém um tradicional programa jornalístico na Rádio 730 am , de segunda a sexta feira, das 08 às 09 horas da manhã.

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