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Teoricamente sim…

Segundo o pensador Paulo Freire: “ a teoria sem a prática vira “verbalismo”, assim como a prática sem a teoria, vira ativismo”.  No entanto, quando se une a prática com a teoria tem se práxis, ação criadora e modificadora da realidade.

Faço parte de uma geração estranha. Tão bizarra que sequer merece um modesto apelido que hoje batiza os que não tiveram que tomar livros emprestados nas poucas bibliotecas existentes. Alguns são conhecidos como “Y”, outros “Z”, ou até mesmo “Índigo” e por aí vai os felizardos pós-internet.

Como um paquiderme incomodo, desses que se olha num misto de desprezo e benevolência, sigo atazanando gente feliz exigindo procedimentos toscos que os generosos fingem entender. Numa colher de chá que aprecio e agradeço, meus filhos ainda pedem a tradicional “benção pai”. Estufo o peito, quanta ingenuidade, sinto-me o máximo. Ganhei a parada! Essa vou preservar às futuras gerações. Dificilmente!

Tento infundir, como fez meu precioso pai Alan Kardec, o respeito pelo trato no fio do bigode, a economia básica de apagar as luzes não estando no recinto, evitar palavrões, só dirigir veículo para ir ao destino necessário, tomar banho de chuveiro com parcimônia, pagar as contas um dia antes do vencimento, não comprar em prestações, comer tudo o que for colocado no prato, entender que o professor sempre tem razão, não fazer barulho capaz de incomodar os vizinhos e respeitar princípios cristãos básicos.

Não precisa dizer. Sou um porre. Teoricamente já deveria ter me aposentado para não encher o saco de ninguém com teorias e práticas malucas. Quem pensa assim está certo e tem razões de sobra. Só não passo da teoria à prática porque não posso.

Carrego nos ombros, e no abismo prático, a impossibilidade de passar o bastão. Meus companheiros de corrida, com todo o esforço de décadas, auxílio de tecnologia e o escambau, os meus pés cansados não podem sair do acelerador. Não sou o único. Milhões de pais da família, com filhos graduados, bem informados e bem formados, não podem se dar ao luxo de ficar tomando vinho sossego e curtir o passar dos últimos anos.

De um lado é sorte, claro. Saúde de touro, fui criado com óleo de fígado de bacalhau, emulsão de Scott e Biotônico Fontoura.  Cansar é para essa turma com apelidos bonitos. Vou tirando de letra. Mas como a vida é um eterno pedalar de bicicleta, alguém vai ter que continuar. Vão ter ritmo? Teoricamente sim…

Rosenwal Ferreira

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Serra Dourada realizando comentários para o Jornal do Meio Dia; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate, que anteriormente era transmitido na TBC Cultura, e agora está na PUC TV. Na TV Metrópole é membro do programa de análises políticas e econômicas. No meio impresso, é articulista na quinta-feira, no Jornal da Manhã, e na terça-feira no Jornal OHoje. 
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico Opinião em Debate, que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820am, de segunda a sexta-feira, das 07H30 às 08H30 da manhã.

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