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Por que destruir o setor Marista?

A expansão urbana criminosa está engolindo a cidade como se fosse uma enorme jiboia a esmagar as entranhas da capital triturando a qualidade de vida para saciar a ganância de empreiteiras inescrupulosas, empresários irresponsáveis, políticos corruptos, fiscais ineptos e uma babel de ordinários que não se importam com os destinos da comunidade. A liberação de arranha-céus, que paradoxalmente vão garantir o inferno metropolitano, obedece apenas critérios do lucro fácil.

Qualquer analista amador percebe claramente que o quadrilátero do Parque Flamboyant – apenas para citar um exemplo bem recente de suicídio urbano anunciado – obteve autorizações de construção que rasgam todas as normas de bom senso, planejamento e respeito ao meio ambiente. A concentração de pavimentos encaixotados, com andares de cimento praticamente se atritando uns com os outros, destruiu a concepção de um local aprazível próximo a uma área de lazer saudável. O excesso de moradores já transformou a região numa espécie de lata de sardinha de luxo. Tudo muito refinado, mas entupido de problemas que poderiam ser evitados. Permissões já orquestradas representam a garantia de que tudo vai piorar.

O trilho da inconsequência segue firme em direção ao antes tranquilo setor Marista. As obras em andamento provam que a cupidez não tem limites. Será mais um bairro a entrar para o bueiro da leviandade, enriquecendo os espertalhões que criam formigueiros humanos com alto teor cancerígeno.

A ânsia por lucros na especulação imobiliária não respeita sequer a possibilidade de faltar água na capital. Já garantidos nos bairros nobres a turma de sempre lambuzou de veneno o pouco que resta da área verde que circunda Goiânia. Certos que não terão resistências na Prefeitura ou na Câmara Municipal, já adiantam projetos capazes de devastar nichos ecológicos importantes. Felizmente nem todos estão dispostos a participar do bueiro da mesquinharia. Membros zelosos do Ministério Público e entidades como a VerdiVale já estão lutando para diminuir a velocidade da desgraça.

Respondendo à pergunta que encabeça o título da matéria: “Por que destruir o setor Marista?”. Porque é fácil demais. Não existe dificuldade alguma para arruinar o que bem entender na capital. Basta molhar mãos que se estendem em alegria para serem cúmplices no bacanal. Que nojo.

Rosenwal Ferreira é Jornalista e Publicitário

Twitter: @rosenwalf

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Record realizando comentários no quadro 'Olho no Olho', no Balanço Geral. Mantém, há mais de 18 anos, o programa 'Opinião em Debate' que agora está na PUC TV. No meio impresso, é articulista no Diário da Manhã, e no Jornal OHoje.
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico 'Opinião em Debate', que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820AM, de segunda a sexta-feira, das 07h30 às 08h30 da manhã. Logo após é membro da bancada mais ativista da felicidade, das 8h30 até às 10h da manhã, na Jovem Pan Goiânia 106,7FM.

1 Comentário

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  • Rosenwal, tudo em paz? Morei por 10 anos no Setor Bela Vista, um mar de prédios, um bom objeto de estudo sobre más práticas urbanas. Nas ruas estreitas do bairro, os espigões despejam uma quantidade enorme de veículos,abarrotam as calçadas de lixo. Em época de chuva, enxurradas violentas descem as vias em encontrar solo permeável. Ao obstáculo das calçadas irregulares, juntam-se conteiners com entulho e carros parados sobre o passeio. Não há hidrantes suficientes, nem lugar para manobra do carro de bombeiros. Isso junto à proximidade dos edifícios é mau prenúncio. Se essa urbanização irracional não atende ao interesse da coletividade, prevaleceu, perante os órgãos municipais, o interesse de quem? São esses os interesses ainda hegemônicos?

    Abraço,

    Adriano Esperidião
    (abesper@hotmail.com)