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De frente com a onça e sem espingarda

É possível que a nova geração, já acostumada com a presença de metralhadoras automáticas, pistola .40 e até artilharia capaz de derrubar aviões, sequer tenha noção do que seja uma espingarda. Tempos idos, era uma arma de defesa dos caboclos e que podia até negar fogo na hora de atirar numa onça.

Foi só para explicar, a história na verdade é outra. Recentemente, numa dessas paradas obrigatórias no sofrível aeroporto agastado no centro de São Paulo, terminei por sentar ao lado de João Pedro Stédile, que, sozinho, traçava um combinado de sushi e sashimi, tomando um cálice de vinho tinto.

Sereno como um monge tibetano, sorriu generoso, demonstrando receptividade para uma aproximação. Como tenho ojeriza por cafajestes assumidos, respirei fundo arrancando uma vergonhosa frase: “ O senhor é o chefão do MST não é mesmo? Ele respondeu num tom irônico que aumentou minha desonra interna: “ Se quiser chamar assim, pode ser. Sou apenas um dos representantes do movimento!

Dei uma sacudida no ego e sapequei: “ O senhor não era para estar na marcha a pé que segue para Brasília?” A resposta foi curta: “Era, mas como percebe estou aqui.” Foi o suficiente. Que ódio. Como pode um jornalista, veterano como eu, se meter numa conversa tão trivial e pueril com o capo de uma quadrilha? Sabem o que fiz? Fui ao banheiro.

O maior triunfo foi não vomitar. Não o ofendi, nem tentei tirar uma entrevista aproveitável. Muito menos o xinguei com todos os palavrões do meu repertório. Fui salvo pelo autofalante que chamou o meu voo e acabei sentado na poltrona sem ter coragem de olhar no espelho.

O episódio, que até preferiria esquecer, me veio à tona quando recebi, pela internet ontem, uma foto de Stédile sentado confortavelmente numa poltrona de aeroporto esperando seu lugar num jato de carreira, enquanto miseráveis do MST sofriam a amargura de ir, de novo, a Brasília em ônibus fedorentos comendo ovo frito gelado e dormindo em tendas improvisadas.

Fico imaginando… O que faz essa gente ainda acreditar nesse explorador irresponsável? Um homem tão indigno que, entre outras proezas, inventou a greve de fome terceirizada. No duro, queria ver ele fazer algum esforço.

Ao que me consta, não moveu um dedo sequer para ajudar a legião de mendigos ambulantes que fogem da Venezuela. Ainda ontem, estava todo faceiro defendendo o ditador Maduro.  Se encontrar com o sacripanta de novo, prometo não conter a ânsia, enfio até o dedo na goela e vomito. Nele? É uma ideia. Boa por sinal.

Rosenwal Ferreira

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Record realizando comentários no quadro Olho no Olho, no Balanço Geral; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate que agora está na PUC TV. No meio impresso, é articulista no Diário da Manhã, e no Jornal OHoje.
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico Opinião em Debate, que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820am, de segunda a sexta-feira, das 07H30 às 08H30 da manhã. Logo após é membro da bancada mais ativista da felicidade, das 8:30h ate às 10h da manhã, na Jovem Pan Goiânia.

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