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Lula e a maldição dos bombons

Former Brazilian president Luiz Inacio Lula da Silva gestures during an interview with AFP at Lula's Institute in Sao Paulo, Brazil, on March 1, 2018. / AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

Os insensíveis, que ainda guardam foguetes para soltar no dia em que Lula for colocado atrás das grades, sequer perceberam que faz tempo que o homem está preso. Apesar de todas as bravatas, e de uma diminuta fanfarra domesticada que colabora para o jogo do faz de conta, a tempos ele sofre agruras de um condenado. Sair à rua numa boa, sem ouvir o grito: “PEGA LADRÃO”, tornou-se impossível.

Lula não tem sossego nem para comer um pastel na esquina. Seus filhos, netos e parentes, se escondem para não sofrer linchamentos morais degradantes. Em cada banca de revista, ou seja, em cada canto da cidade, sempre existe uma referência negativa a ele, com direito a uma foto sofrida.

Os telejornais trituram o sujeito em todos os ângulos possíveis, as emissoras de rádio aplicam uma surra cotidiana, os jornais enferrujam sua trajetória e não existe lugar algum em que uma praga nova deixa de lhe pesar nos ombros. Isso é pior do que cadeia. Ou não?

Duro na queda, ou sem alternativa, Luiz Inácio se ajeita, retoca o mito Lula e segue fingindo que pode enfrentar Deus e todo mundo e ainda dar a volta por cima. Sabe que não pode.

Sua pior sina chamarei de maldição dos bombons. Explico: em uma ação emblemática, e justamente quando usou verba da Câmara dos Deputados para ir até Curitiba defender Lula, o Deputado do Acre, Leo Brito, teve o desplante de pedir um reembolso no valor de R$ 48,36 referente a compra de chocolates, para o deleite de seu refinado paladar. Uma trivialidade? Nem tanto!

Lula pode ser preso, e está pagando caro, por essa mentalidade tacanha que se infiltrou na classe política. Como Presidente, foi conivente e teve que engolir seco um caminhão de tranqueiras que passou a considerar normal. Um Sonho de Valsa aqui, um arranjo milionário acolá, um tríplex a gosto do freguês, alguns milhões para agradar a Hugo Chávez e o barco toca.

Durante muito tempo esse estilo, digamos assim, modelado no cotidiano como se fosse massinha que criança ajusta nos dedos, deu certo. Bem que alguém lembrou que Collor caiu por conta de um Fiat Elba. Mas outro, logo mostrou que distintos carrões importados lotaram a garagem e, no final, o esperto foi até inocentado. Cadeia? Para com isso! Fernando está se resgatando no pleito como alternativa presidencial.

Por que Lula teria que ser diferente? Ninguém contava com um Moro no meio do caminho. Dizem que, ao comprar os bombons, um assessor indagou baixinho: “Deputado, vai pegar nota de bombons?”. Claro, respondeu ele, não sou diabético. É para comer! Talvez esteja cada vez mais difícil, no Brasil, continuar devorando o povão pelas beiradas e sair impune. Talvez…

Rosenwal Ferreira é Jornalista, Publicitário e Terapeuta Trans-Pessoal

 

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Serra Dourada realizando comentários para o Jornal do Meio Dia; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate, que anteriormente era transmitido na TBC Cultura, e agora está na PUC TV. Na TV Metrópole é membro do programa de análises políticas e econômicas. No meio impresso, é articulista na quinta-feira, no Jornal da Manhã, e na terça-feira no Jornal OHoje. 
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico Opinião em Debate, que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820am, de segunda a sexta-feira, das 07H30 às 08H30 da manhã.

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