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Iris, Marconi, Ronaldo e o lé com cré

Para início de prosa, e sabendo que existem leitores que guardam pinças na algibeira para achar cabelo em ovo, explico que os nomes das personagens no título do artigo foram, premeditadamente, colocados em ordem alfabética.

Embora especialistas confiáveis não considerem a explicação plausível, o escritor Francisco Alves, na obra “Origens de anexins, proloquios, locuções populares, siglas etc”, afirma que a expressão “lé com lé e cré com cré” veio de “leigo com leigo, clérico com clérico”, muito embora não explica como o ditongo fechado da sílaba “lei” poderia ter se transformado em “lé.”

A explicação serve apenas como um tempero curioso. O que importa, na análise da política goiana, é a divulgação do “lé com cré”, nos factoides com ares de quem diz algo importante sem dizer coisa alguma.

Fosse mês de março, até poderia encontrar sensatez acreditando que os envolvidos tenham sido vítimas de um surto poético ao estilo Tom Jobim: “É pau, é pedra, é o fim do caminho”, É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol. É o mistério profundo, é o queira ou não queira. É o fundo do poço…”. Genial a arte de misturar tudo, aparentemente sem ligação, e fazer senso. Mas isso é cultura, talento.

O que estamos sofrendo é outra coisa. São escaramuças, com atores em busca do poder, dispostos a deixar o eleitor com a Síndrome do Crioulo Doido. Até agora, e com a eleição se aproximando, ninguém sabe o que poderá nortear as coligações e por que, ou melhor dizendo, para quem servem as intenções de parceria?

Discute-se elos na intimidade dos caciques, que se dane o conteúdo dos programas de governo. Não mudou nada. Ninguém aprendeu lições com o recado claro dos eleitores. A ordem é embalar, e dar continuidade ao lé com cré, até que todos os interesses umbilicais estejam ajustados. Só depois, e apenas para referendar o que já foi acordado, é que se consulta as urnas. Nem precisava.

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Serra Dourada realizando comentários para o Jornal do Meio Dia; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate, que anteriormente era transmitido na TBC Cultura, e agora está na PUC TV. Na TV Metrópole é membro do programa de análises políticas e econômicas. No meio impresso, é articulista na quinta-feira, no Jornal da Manhã, e na terça-feira no Jornal OHoje. 
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico Opinião em Debate, que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820am, de segunda a sexta-feira, das 07H30 às 08H30 da manhã.

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