Cinema

Fala Sério, Mãe!

Ângela Cristina, mãe da adolescente Maria de Lourdes, precisa lidar com as dificuldades e delícias de guiar sua filha durante uma das fases mais complicadas da vida. Ela vive uma montanha-russa de emoções, medos e frustrações. Por outro lado, a filha Malu, como prefere ser chamada, também tem suas i… MAIS
Data de lançamento28 de dezembro de 2017 (Brasil)
Lançamento28 de dezembro de 2017
Companhia(s) produtora(s)Camisa Listrada
RoteiroPaulo Cursino; Ingrid Guimarães

Crítica

Thalita Rebouças pode se considerar a pessoa mais feliz desse Natal. Em pleno 25 de dezembro, chega ao circuito a adaptação de seu principal sucesso literário, Fala Sério, Mãe!, com todas as credenciais para também ser um sucesso cinematográfico. O maior indicativo é o encontro de gerações entre Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, dois ícones em suas respectivas faixas etárias que interpretam com muita competência e química uma relação de mãe e filha. Tudo sob o olhar atento da autora, em uma participação especial (como a primeira pessoa a dar oportunidade profissional à jovem protagonista) sintomática sobre sua condição atual: madura e bem-sucedida. Assim, felicidade completa.

Fala Sério, Mãe! é um filme em duas partes. A primeira é narrada por Ângela Cristina, uma mulher com tamanha vocação para ser mãe que se torna hilária. Do tipo que entra em parafuso e concentra os clichês e as paranoias da figura materna, a personagem é concebida com o mesmo olhar satírico e afetuoso com que Paulo Gustavo compõe a Dona Hermínia de Minha Mãe é Uma Peça. A franquia cômica de sucesso é referência tanto para o diretor Paulo Vasconcelos, que retrocede em relação à articulação visual do recente Dona Flor e seus Dois Maridos e opera seu filme como mero veículo do texto de Rebouças; como para Ingrid Guimarães, que — também roteirista — tem a responsabilidade, mas também todo o espaço para brilhar. E assim ela faz.

Ingrid Guimarães constrói sua Ângela como a mesma caricatura de Dona Hermínia, ao mesmo tempo absurda e real, arrancando risadas pela pronta identificação do público com o seu jeito, suas falas, suas manias, seus micos — típicos de mãe. Os ecos entre Fala Sério, Mãe! e Minha Mãe é uma Peça são tamanhos que, quando Paulo Gustavo surge em cena para uma ponta, o riso é instantâneo. Depois, por conta de uma sequência de gags provocadas pelo tipo estabelecido pelo ator em 220 Volts, comicamente impaciente, e Ingrid, inspiradíssima. Ainda vale notar que aqui a humorista usa seu talento em uma personagem inédita, mais agridoce, que faz graça mas também revela carência, solidão, um peso dramático.

Este arco mais pungente é a marca da segunda parte, quando Maria de Lourdes assume a voz protagonista. E é aí que Larissa Manoela surpreende. Fala Sério, Mãe! é um diário de Thalita Rebouças. E a jovem atriz empresta a ternura necessária na leitura dessa história e na relação de Malu com Ângela. Assim, o constrangimento da menina frente ao excesso de cuidado da mãe diverte, sua insatisfação convence, até que uma maturidade acontece diante da tela. Comovida com a situação de Ângela, que deixou de ser mulher para ser mãe, Malu se torna sua melhor amiga, apesar dos tapas e beijos. Mais universal, impossível.

Essa humanidade é o grande trunfo de Fala Sério, Mãe!. Permitindo que Pedro Vasconcelos e equipe realizem algo funcional embora tão simples. Desse modo, investindo em um tipo de melodrama televisivo, bem acessível ao espectador médio; em uma comédia popular (o título do filme é repetido várias vezes, tem piada tirada de Chaves) e atestada por um grande sucesso do cinema nacional; incluindo hits de Shawn MendesTiago Iorc, Ana Vilela e do funk carioca, acenando para um público alvo bem definido; enfim, adequando o best-seller de Thalita Rebouças à linguagem audiovisual com correção.

Sobre o Autor

Rosenwal Ferreira

Rosenwal Ferreira é jornalista, publicitário e terapeuta transpessoal. Multimídia talentoso, ele atua na TV Serra Dourada realizando comentários para o Jornal do Meio Dia; mantém, há mais de 18 anos, o programa Opinião em Debate, que anteriormente era transmitido na TBC Cultura, e agora está na PUC TV. Na TV Metrópole é membro do programa de análises políticas e econômicas. No meio impresso, é articulista na quinta-feira, no Jornal da Manhã, e na terça-feira no Jornal OHoje. 
Radialista de carteirinha, comanda o tradicional programa jornalístico Opinião em Debate, que já ocupou o horário nobre em diversas emissoras, e hoje, está na nacionalmente conhecida Rede Bandeirantes 820am, de segunda a sexta-feira, das 07H30 às 08H30 da manhã.

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